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Queimadas já consumiram 12% do Pantanal – e tendência é piorar

Um forte ruído de tempestade anuncia a aproximação das labaredas na estrada de terra que corta uma das inúmeras fazendas do Pantanal matogrossense. A ironia cruel é reforçada pela chuva de fagulhas e cinzas que antecede a chegada das chamas e tinge de laranja avermelhado toda a paisagem. O cenário é complementado por cantos de alerta de acuãs e outras aves do Pantanal, enquanto outros animais menos hábeis ficam pelo caminho para serem carbonizados.

Foi uma visão semelhante a essa que bateu à porta do aposentado Marcos Rondão, nesse 15 de agosto, quando sua casa, às margens da rodovia Transpantaneira, foi quase engolida pelas chamas, que atravessaram barreiras feitas pelos bombeiros e até mesmo a estrada. “Foi assustador. Durante a noite, aquelas labaredas avançando; saltaram o aceiro a 10 km daqui, queimaram a fazenda vizinha. E caía aquela chuva de fagulha queimando; morria de medo que uma delas incendiasse o quintal.”

Acima da propriedade de Rondão, uma nuvem de fumaça se espalhava de acordo com o vento ou com a falta dele, encobrindo a paisagem com um manto amarelado por um raio de mais de 80 km no sul de Mato Grosso, entre os municípios de Poconé e Barão de Melgaço, e deixando um cheiro de madeira queimada. “É dia e noite convivendo com essa fumaça cada vez que a gente abre a porta de casa. Desde que o fogo quase destruiu a pousada, há mais de duas semanas, tem dias que não se vê cinco metros adiante”, reclama Eduardo Falcão, dono de outra propriedade às margens da Transpantaneira.

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